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Sobre o documentário “Ilha das Flores”



Produzido em 1989 por Jorge Furtado, o documentário “Ilha das Flores” expressa através de uma articulação inteligente e munida de dados científicos, a contradição em que se encontra a sociedade de consumo, pois, embora constituída de seres racionais, tem como produto final a desigualdade. No curta-metragem é evidenciada a penosa situação da população que, na busca por alimentos, são postos em menor prioridade em relação aos porcos. Contudo, antes de trazer à superfície a denuncia, o documentário faz toda uma trajetória que vai desde o cultivo de tomates até à circunstância em que parte destes vão parar na Ilha das Flores, por terem sido considerados impróprios ao consumo. Ao decorrer do curta-metragem, salienta-se diversas vezes o fato científico de os seres humanos serem munidos de telencéfalo altamente desenvolvido e polegares opositores, para abrir ou fechar uma ideia. Isto é devido ao intuito de mostrar, no desfecho, quão irônica a sociedade de consumo pode ser, já que, mesmo sendo pertencente a seres “avantajados” evolutivamente, permite com que exista tal descaso.
É preciso ter em mente que pessoas subsistindo em tal nível de calamidade não é uma situação particular da Ilha das Flores. Em toda sociedade de consumo há, necessariamente, indivíduos marginalizados, vivendo em condições inferiores à de muitos animais de outras espécies. Eis a sociedade hedonista cuja qual se tem orgulho. Poder-se-ia usar, ainda, Ilha das Flores de forma alegórica de modo a representar o lado da sociedade de consumo que ignoramos, marginalizamos, mas que, todavia, está lá.

Assista o documentário completo através do link a seguir: