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Sobre o documentário “Ilha das Flores”



Produzido em 1989 por Jorge Furtado, o documentário “Ilha das Flores” expressa através de uma articulação inteligente e munida de dados científicos, a contradição em que se encontra a sociedade de consumo, pois, embora constituída de seres racionais, tem como produto final a desigualdade. No curta-metragem é evidenciada a penosa situação da população que, na busca por alimentos, são postos em menor prioridade em relação aos porcos. Contudo, antes de trazer à superfície a denuncia, o documentário faz toda uma trajetória que vai desde o cultivo de tomates até à circunstância em que parte destes vão parar na Ilha das Flores, por terem sido considerados impróprios ao consumo. Ao decorrer do curta-metragem, salienta-se diversas vezes o fato científico de os seres humanos serem munidos de telencéfalo altamente desenvolvido e polegares opositores, para abrir ou fechar uma ideia. Isto é devido ao intuito de mostrar, no desfecho, quão irônica a sociedade de consumo pode ser, já que, mesmo sendo pertencente a seres “avantajados” evolutivamente, permite com que exista tal descaso.
É preciso ter em mente que pessoas subsistindo em tal nível de calamidade não é uma situação particular da Ilha das Flores. Em toda sociedade de consumo há, necessariamente, indivíduos marginalizados, vivendo em condições inferiores à de muitos animais de outras espécies. Eis a sociedade hedonista cuja qual se tem orgulho. Poder-se-ia usar, ainda, Ilha das Flores de forma alegórica de modo a representar o lado da sociedade de consumo que ignoramos, marginalizamos, mas que, todavia, está lá.

Assista o documentário completo através do link a seguir:

O papel da arte na atualidade


1. A arte ao longo dos tempos

Ao longo dos tempos a arte desempenhou um importante papel de manifestação do pensamento cultural predominante na época, além de ter sido usada como meio de fazer críticas ao sistema vigente, como ocorre no século XX. A cultura predominante em determinada época pode ser claramente compreendida através da arte do contexto. Podemos tomar como exemplo a arte medieval, que se caracteriza pelo uso de figuras de cunho religioso, expressando assim a forte influência que a igreja tinha sobre o pensamento ocidental neste período. Contudo, é importante destacarmos que há uma diferença entre a arte comercial – na qual eu englobo boa parte da arte medieval, uma vez em que a mesma era uma forma de anuncio e propagação de doutrinas – e a arte como forma de expressão individual.

2. A arte usada como meio de propagação de ideias

Se considerarmos que arte é uma forma de representação da realidade a partir de uma interpretação pessoal, pode-se dizer que arte comercial definitivamente foge dos parâmetros do que verdadeiramente é arte, enquanto a mesma preocupa-se com a propagação de uma ideia, crença ou doutrina que são compartilhados pela cultura de massa. No século XX e XXI temos a arte sendo utilizada amplamente para promover campanhas publicitárias, o que é o ápice do germe que vinha se desenvolvendo já na Idade Média, que é a arte comercial sendo usada para “vender” uma ideia, crença ou doutrina. Contudo, em decorrência ao avanço tecnológico proveniente das revoluções industriais, os meios de comunicação passaram a facilitar a propagação de ideias através da arte comercial. Se na Idade Média as pessoas precisavam reunir-se em um local para contemplar a arte como forma de expressão de uma doutrina, a partir do século XX elas passaram a poder fazer isso sem precisar sair de suas residências. As consequências disto não poderiam ser outras: Os ideais expressos pela arte comercial encontram-se profundamente impregnados na cultura de massa. Uma vez em que tal fenômeno promova uma uniformização da cultura global – e, portanto, a decadência da diversidade cultural e ideológica -, se considerarmos está forma de arte como uma arte genuína, a arte no século XX e XXI adquiriu um caráter desnecessário e maléfico.

3. Cultura uniformizada e da decadência da diversidade

A partir de uma análise histórica e cultural da civilização ocidental, pode-se afirmar que a uniformização ideológica e cultural de uma população tem como consequência a escassez de produção científica, filosófica e artística: Para termos esta certeza, basta observarmos o abismo que a Idade Média deixou no progresso do pensamento, fazendo um contraste com a civilização grega clássica, na qual havia uma grande diversidade ideológica entre a população e uma intensa e diversificada produção filosófica, científica e artística. Na Idade Média eram doutrinas religiosas que uniformizavam a cultura de massa. Com a rejeição das crenças judaico-cristãs provenientes da modernidade, houve uma retomada dos ideais gregos e, consequentemente, um período de intensa produção artística. A partir do surgimento do capitalismo passou a ser vendida uma nova crença, que era imediatamente aceita por toda a massa. A crença propagada pelo capitalismo através da arte comercial não é fixa, ela altera segundo as necessidades e interesses da elite econômica.

4. A arte comercial e o consumismo

Comumente em propagandas vemos atores bem vestidos, com um belo penteado e sorrindo divulgando um determinado produto. Sabemos que essa estratégia sugere à pessoa comum que se ela consumir determinado produto poderá ser tão feliz e realizada quanto o ator que o divulga parece estar na propaganda. Contudo, este é um sonho momentâneo e passageiro, pois quando o indivíduo adquire o produto ele é bombardeado com diversas outras propagandas que criam nele outras necessidades materiais, fazendo dele um consumista incessante. Quando o consumidor, por motivos econômicos, não consegue aderir o produto cujo a propaganda criou nele a necessidade, ele torna-se frustrado. Aí entra o papel da psiquiatria nos dias atuais: Emudecer os males que o corpo do consumidor apresenta frente aos problemas decorrentes do sistema capitalista.

5. Arte comercial e a arte genuína

Creio ter elucidado a diferença gritante entre as duas formas de arte, sendo uma essencialmente inútil e prejudicial e a outra benéfica para o progresso intelectual, artístico e cultural. Nos dias vigentes, os artistas genuínos ganham pouco ou nenhum espaço, a verdadeira arte permanece subterrânea, uma vez em que não serve aos interesses econômicos do sistema capitalista. Em consequência, temos a maioria das pessoas imersas em um oceano de superficialidade e ignorância. Vivemos em tempos em que é preciso ir às profundezas para encontrar joias preciosas. Pois, se quisermos ser superficiais, basta sentarmos na poltrona e ligarmos a televisão.

6. Internet como meio de propagação da arte genuína

Um fenômeno recente é a comunicação através da internet, que não se restringe às barreiras dos interesses econômicos do sistema vigente. Nela, artistas de todo o mundo podem divulgar o seu trabalho sem que estes estejam de acordos com as normas do capitalismo, muito pelo contrário: Os artistas que não ganham espaço nos outros meios de comunicação usam comumente a internet para divulgar arte fazendo críticas coerentes e contundentes ao sistema. A internet tornou-se o único meio democrático e igualitário de disseminação de informação, onde o mais reconhecido dos artistas possui as mesmas capacidades e meios de divulgação que o artista subterrâneo. É possível que estejamos vivendo um novo período de diversidade ideológica e produção artística e a internet está desempenhando um papel mais do que fundamental neste processo. A arte genuína já não precisa dos meios de comunicação em massa extremamente restringidos para ser reconhecida. Com o passar dos tempos, é possível que a arte genuína seja tão ou mais reconhecida do que a arte comercial.

Comentário do trecho da Obra do Averróis


“aquilo  que  é  em  potência  todas  as  intenções  das  formas  materiais universais, e não é em ato ente algum antes que intelija o próprio.”

Aqui, Averróis apresenta a sua definição de Intelecto Material, diferenciando-a da “Matéria prima” necessariamente por ser uma potência para as formas universais, ao passo em que a Matéria prima é  tão somente uma potência para as formas sensíveis individuais e particulares. A individualidade está contida nas formas materiais. Desta forma, a matéria prima torna-se um recipiente que exerce o trabalho de diferenciação das formas puras. Portanto, é impossível conhecer as formas puras através das sensações, uma vez em que elas foram abstraídas através do processo de diferenciação. O intelecto material existe enquanto potência, ou seja, possibilidade de conhecer as formas puras.

Kepler e as órbitas elípticas


Kepler acreditava firmemente no sistema de Copérnico. Contudo, havia uma dificuldade em relação à órbita de Marte, devido ao fato de Copérnico ter colocado corretamente o Sol no centro do Sistema Solar, mas ter cometido o erro de assumir que as órbitas dos planetas eram circulares. Assim, na teoria de Copérnico ainda faltava a explicar os detalhes do movimento planetário.
Coube a Kepler o papel de fornecer a peça final do quebra-cabeça: após uma longa luta, em que ele tentou sem sucesso evitar a sua eventual conclusão, Kepler foi finalmente forçado à percepção de que as órbitas dos planetas não eram círculos, assim como exigido por Aristóteles, mas eram os "círculos achatados" que os geômetras chamavam de elipses. As dificuldades com a órbita de Marte derivam precisamente do fato de que a órbita de Marte é a mais elíptica dos planetas estudados.  Os dados colhidos Brahe, cuidadosamente tabelados, constituíram a base do trabalho que foi desenvolvido, após sua morte, por Kepler. O trabalho de Kepler teve êxito, tendo descoberto as três leis do movimento dos planetas.
Primeira lei:
Um planeta se move descrevendo uma órbita elíptica tendo o Sol como um dos focos.
Segunda lei:
A linha que liga o Sol ao planeta varre áreas iguais em intervalos de tempo iguais.
Terceira lei:
É constante para todos os planetas a razão entre o tempo (T) que o planeta leva para dar uma volta completa em torno do Sol elevado ao quadrado e o raio médio (r) de sua órbita elevado ao cubo.
T2/r3 = constante. As leis de Kepler aplicam-se a quaisquer corpos que gravitem em órbita de uma grande massa central.

Por isso, elas são aplicáveis não apenas ao nosso Sistema Solar, como também a outros sistemas do Universo. Elas podem ser também ser aplicadas, por exemplo, para um satélite que gravite em órbita de um planeta qualquer.

A Metafísica de Aristóteles


A Metafísica de Aristóteles tem como tema central uma investigação sobre como a substância pode ser definida enquanto uma categoria do ser. Aristóteles define como substância a realidade última, em que a substância não pertence a qualquer outra categoria de ser, e em que a substância é a categoria de ser em que todas as outras categorias se baseiam. Aristóteles também descreve substância como uma realidade subjacente, ou como o substrato de todas as coisas existentes. Ele descreve a substância como realidade formal e realidade material e discute a relação entre potência e ato.
Segundo Aristóteles, o ser de qualquer coisa particular é essencialmente definido por aquilo que é, ou seja, pela sua substância. A substância é a essência (forma) e substrato (matéria), e pode combinar forma e matéria. Substância constitui a realidade das coisas individuais. A substância de cada coisa individual é a natureza particular da coisa. A substância de cada coisa individual é aquilo que não pertence a outras coisas individuais, enquanto o elemento universal de uma coisa individual é aquele que pertence a muitas coisas individuais.
Aristóteles faz a distinção entre três tipos de substâncias, de acordo com as mudanças que podem ocorrer, ou não, em seu ser real ou potencial. Os primeiros dois tipos de substâncias são físicos, 'móveis' ou contingentes. Estas substâncias físicas são capazes de mudar, ou de sofrer mutação. Elas podem ser perecíveis ou imperecíveis. O terceiro tipo de substância não é física, é não-material, eterna, imóvel e imutável. Tais substâncias podem incluir objetos matemáticos como números e idéias.
Os elementos de uma substância podem ser singulares ou múltiplos. Uma substância simples pode consistir em apenas um elemento. Uma substância composta pode consistir de vários elementos. Os mesmos elementos podem ser compartilhadas por diversos tipos de coisas. No entanto, Aristóteles diz que as substâncias eternas não consistem de elementos, pois os elementos não podem estar simultaneamente em uma substância e tão pouco existir eternamente.
Aristóteles discute as causas, princípios e elementos das substâncias. Segundo Aristóteles, a sabedoria é o conhecimento das causas e princípios das coisas. Sabedoria é uma ciência dos primeiros princípios, e todo o conhecimento é dos universais. Substâncias são coisas particulares, ao passo que princípios universais são comuns a muitas coisas.
Aristóteles explica que existem quatro tipos de causas de coisas: a substância ou essência de alguma coisa (a causa formal), a matéria e objeto de uma coisa (a causa material), a origem do movimento ou contingência de uma coisa (a causa eficiente) e o propósito para o qual uma coisa tem de ser (a causa final). Aristóteles sustenta que saber a verdade de uma proposição é saber o que faz com que ela seja. A verdade de uma proposição pode ser causada pela verdade de outra proposição. A verdadeira proposição pode ser a proposição que faz com que outras proposições tornem-se verdade, e que não dependem da verdade de outras proposições. Para fazer uma afirmação verdadeira é preciso dizer do que é e o que é ou dizer do que não é e o que não é. Para fazer uma declaração falsa é preciso dizer do que não é e o que é, ou dizer do que é e o que não é. Segundo Aristóteles, o que é não pode não ser simultaneamente. Ser e não ser não pode ser predicado do mesmo assunto ao mesmo tempo e no mesmo sentido.
Apesar de uma proposição poder ser potencialmente verdadeira ou falsa, ela não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo no mesmo sentido. A proposição pode parecer ser verdade, e ainda pode ser falsa. A proposição pode parecer falsa, e ainda pode ser verdade.
Se uma proposição não é necessariamente falsa, então ele pode ser verdade. Se uma proposição não é necessariamente verdadeira, então pode, eventualmente, ser falsa. A proposição que é necessariamente verdadeira não pode ser falsa. A proposição que é necessariamente falsa não pode ser verdadeira.
A aparência de algo pode ser diferente da verdadeira realidade da coisa. Além disso, a aparência de algo pode ser relativa à perspectiva de um observador, e pode depender das opiniões e atitudes do mesmo. As coisas podem não aparecer semelhantes à perspectiva geral e pode haver contradições nas aparências.
Aristóteles afirma que as causas das coisas não são infinitas, e que deve haver uma causa primeira, ou um primeiro princípio de todas as coisas. Todas as coisas podem ter a mesma causa primeira. A causa pode ser potencial ou real, necessária ou acidental. As coisas podem ser classificadas como prévia ou posterior a outras coisas, em termos de sua potencialidade e atualidade.
Segundo Aristóteles, a mudança deve ocorrer em algo para a sua potencialidade vir a tornar-se realidade. A potencialidade de algo pode incluir a sua capacidade para mudar ou a sua capacidade para ser mudado, ou ambos. Potencialidade pode ser inata ou adquirida, real ou não real. A potencialidade de algo também pode ser uma capacidade de agir ou de ser posta em prática, de ser ativa ou passiva.
A potencialidade em uma relação de causa e efeito, para ocorrer entre uma coisa e outra, pode incluir a potencialidade de um efeito a ser produzido por uma causa e a potencialidade de uma causa para produzir um efeito. Diferentes efeitos podem ser produzidos por causas diferentes e diferentes causas podem produzir efeitos diferentes.
Se algo necessariamente existe, então ele não pode ser diferente do que é, mas deve existir no caminho em que se fez sua existência. Coisas que necessariamente existem, não são apenas potencialmente existentes, mas devem ser realmente as coisas existentes. A existência logicamente necessária de algumas coisas também fornece uma base lógica para a contingência.
Segundo Aristóteles, a realidade é anterior à potencialidade, então, a potencialidade só pode ocorrer se houver alguma coisa realmente existente, que é capaz de se tornar outra coisa. Deve haver um potencial real para um evento ocorrer, já que sua potencialidade é se tornar uma realidade.
Aristóteles também diz que as coisas eternas são anteriores às coisas perecíveis, já que as eternas não possuem início e nem fim. Coisas não-eternas ou perecíveis têm um começo e um fim. Além disso, as causas e princípios essenciais são anteriores às causas acidentais. Eventos não podem acontecer, a menos que haja razões essenciais, que permitirão que eles aconteçam.
Aristóteles explica que, enquanto a física (ou ciência natural) está preocupada com as coisas que são móveis e mutáveis, a metafísica está preocupada com as coisas que são imóveis e imutáveis. A metafísica é uma filosofia primeira, onde a preocupação é com a definição da natureza do ser, enquanto os outros ramos da ciência e filosofia estão preocupados com a definição das classes (gêneros e espécies) de ser.