Toda
atividade humana tende a algo que consideramos bem. Os fins últimos são bens
por si só, enquanto finalidades subordinadas podem somente tender para os fins
últimos. Estes fins últimos, que buscamos para nosso próprio bem, precisam ser
o bem supremo.
O estudo do Bem faz parte da ciência política, porque a política se preocupa com a garantia dos mais elevados
fins da vida humana. A política não é uma ciência exata, uma
vez que o que é melhor para uma pessoa
não pode ser melhor para o outro.
Consequentemente, podemos visar apenas um esboço
do bem.
Todos concordam que o bem supremo é a
felicidade, mas as pessoas discordam sobre o que constitui a felicidade. As pessoas comuns atribuem a felicidade ao prazer sensual: isto
pode ser suficiente para os animais, mas a vida humana tem fins mais
elevados. Outros dizem que receber
honrarias é o maior bem, mas as honrarias são
conferidas como reconhecimento da
bondade, por isso deve haver um
bem maior que elas. A Teoria
das Formas de Platão sugere que há
uma única forma de bem e que todas as coisas boas são boas, da mesma
forma. Esta teoria parece falha quando consideramos a diversidade de coisas que chamamos de "bem"
e da diversidade de maneiras em que consideramos a bondade. Mesmo se houvesse uma única forma de unificar Bem,
nosso interesse é na questão prática de como ser bom, por isso
devemos nos preocupar não com este
conceito abstrato, mas com os fins práticos cujos possam ser aplicados na vida cotidiana.
A felicidade é o bem mais elevado porque nós a temos como um fim suficiente em
si mesma. Mesmo a inteligência e
a virtude não são boas em si próprias,
mas tão somente porque nos fazem felizes.
Chamamos as pessoas de "boas" se elas praticarem o bem. Por
exemplo, uma pessoa que toca bem uma flauta, é um bom flautista. Tocar a flauta
é a função do flautista, porque este é seu ofício. A função distintiva dos
seres humanos em geral, o que nos distingue dos animais e plantas é a nossa
racionalidade. Portanto, o bem supremo deve ser uma atividade da alma racional,
de acordo com a virtude.
Ao falar de felicidade, nós consideramos a
vida de uma pessoa como um todo,
não apenas breves momentos. Isto levanta
a sugestão paradoxal que uma pessoa pode ser considerada feliz só após a morte, isto é, uma vez que podemos examinar a vida da pessoa como um todo. No entanto, uma pessoa de boa vontade sempre se comporta de uma maneira virtuosa. Mesmo diante de grande infortúnio uma boa pessoa conseguirá suportar bem a si própria. Após
a morte de uma pessoa, segundo Aristóteles, honrarias póstumas ou
desonras por parte de seus descendentes podem afetar sua felicidade.
Podemos dividir a alma em irracional
e racional. A alma irracional
tem dois aspectos: o aspecto vegetativo,
que lida com a nutrição, crescimento e
tem pouca conexão com a virtude,
e o aspecto apetitivo, que
rege os nossos impulsos. A parte
racional da alma é responsável
por controlar os impulsos, uma pessoa virtuosa com maior racionalidade possui maior controle sobre eles.