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Síntese do Livro I da Ética a Nicômaco de Aristóteles



Toda atividade humana tende a algo que consideramos bem. Os fins últimos são bens por si só, enquanto finalidades subordinadas podem somente tender para os fins últimos. Estes fins últimos, que buscamos para nosso próprio bem, precisam ser o bem supremo.
O estudo do Bem faz parte da ciência política, porque a política se preocupa com a garantia dos mais elevados fins da vida humana. A política não é uma ciência exata, uma vez que o que é melhor para uma pessoa não pode ser melhor para o outro. Consequentemente, podemos visar apenas um esboço do bem.
Todos concordam que o bem supremo é a felicidade, mas as pessoas discordam sobre o que constitui a felicidade. As pessoas comuns atribuem a felicidade ao prazer sensual: isto pode ser suficiente para os animais, mas a vida humana tem fins mais elevados. Outros dizem que receber honrarias é o maior bem, mas as honrarias são conferidas como reconhecimento da bondade, por isso deve haver um bem maior que elas. A Teoria das Formas de Platão sugere que há uma única forma de bem e que todas as coisas boas são boas, da mesma forma. Esta teoria parece falha quando consideramos a diversidade de coisas que chamamos de "bem" e da diversidade de maneiras em que consideramos a bondade. Mesmo se houvesse uma única forma de unificar Bem, nosso interesse é na questão prática de como ser bom, por isso devemos nos preocupar não com este conceito abstrato, mas com os fins práticos cujos possam ser aplicados na vida cotidiana.
A felicidade é o bem mais elevado porque nós a temos como um fim suficiente em si mesma. Mesmo a inteligência e a virtude não são boas em si próprias, mas tão somente porque nos fazem felizes.
Chamamos as pessoas de "boas" se elas praticarem o bem. Por exemplo, uma pessoa que toca bem uma flauta, é um bom flautista. Tocar a flauta é a função do flautista, porque este é seu ofício. A função distintiva dos seres humanos em geral, o que nos distingue dos animais e plantas é a nossa racionalidade. Portanto, o bem supremo deve ser uma atividade da alma racional, de acordo com a virtude.
Ao falar de felicidade, nós consideramos a vida de uma pessoa como um todo, não apenas breves momentos. Isto levanta a sugestão paradoxal que uma pessoa pode ser considerada feliz só após a morte, isto é, uma vez que podemos examinar a vida da pessoa como um todo. No entanto, uma pessoa de boa vontade sempre se comporta de uma maneira virtuosa. Mesmo diante de grande infortúnio uma boa pessoa conseguirá suportar bem a si própria. Após a morte de uma pessoa, segundo Aristóteles, honrarias póstumas ou desonras por parte de seus descendentes podem afetar sua felicidade.
Podemos dividir a alma em irracional e racional. A alma irracional tem dois aspectos: o aspecto vegetativo, que lida com a nutrição, crescimento e tem pouca conexão com a virtude, e o aspecto apetitivo, que rege os nossos impulsos. A parte racional da alma é responsável por controlar os impulsos, uma pessoa virtuosa com maior racionalidade possui maior controle sobre eles.