Pages

O que é: Kant e a Crítica da Razão Pura


A razão humana é imbuída de um questionamento para coisas que vão além das suas possibilidades de entendimento. Assim, vê-se obrigada a refugiar-se em princípios intangíveis, surge então a metafísica. Noutros tempos, tal ciência era dominante, contudo, por vezes, os céticos tratavam de quebrar a ordem estabelecida, que era restaurada pelos dogmáticos. Continuando a afirmar suas pretensões, a metafísica caiu em uma onda de desprestígio. Após as vãs tentativas de reestabelecimento da mesma, reina um indiferentismo, contudo, ao mesmo tempo há um prelúdio de uma renovação destas ciências. Mesmo os indiferentistas caem, inevitavelmente, em indagações metafísicas. A condenação da metafísica é um convite para o conhecimento de coisas que lhe assegurem legitimidade. Isto é a própria Crítica da Razão Pura. Uma crítica assim deve ser entendida como uma faculdade da razão em geral, com respeito a todos os conhecimentos a que se pode aspirar, independente de toda a experiência. O objetivo é, portanto, saber até que ponto pode-se alcançar com a razão, quando retirada toda a matéria e todo o concurso da experiência. Não se é permitido emitir opiniões e tudo o que se pareça com uma hipótese é mercadoria proibida, que não se deve vender, nem pelo mais baixo preço, mas que urge confiscar logo que seja descoberta. Com efeito, todo o conhecimento que possui um fundamento a priori, anuncia-se pela exigência de ser absolutamente necessário; com mais forte razão deve assim ser a respeito de uma determinação com todos os conhecimentos puros a priori que deve servir de medida e, portanto, de exemplo a toda clareza filosófica. A metafísica é o inventário, sistematicamente ordenado, de tudo o que possuímos pela razão pura, o que a razão extrai inteiramente de si própria não pode estar-lhe oculto; pelo contrário, é posto à luz pela própria razão.