A
razão humana é imbuída de um questionamento para coisas que vão além das suas
possibilidades de entendimento. Assim, vê-se obrigada a refugiar-se em princípios
intangíveis, surge então a metafísica. Noutros tempos, tal ciência era
dominante, contudo, por vezes, os céticos tratavam de quebrar a ordem
estabelecida, que era restaurada pelos dogmáticos. Continuando a afirmar suas
pretensões, a metafísica caiu em uma onda de desprestígio. Após as vãs
tentativas de reestabelecimento da mesma, reina um indiferentismo, contudo, ao
mesmo tempo há um prelúdio de uma renovação destas ciências. Mesmo os
indiferentistas caem, inevitavelmente, em indagações metafísicas. A condenação
da metafísica é um convite para o conhecimento de coisas que lhe assegurem
legitimidade. Isto é a própria Crítica da Razão Pura. Uma crítica assim deve
ser entendida como uma faculdade da razão em geral, com respeito a todos os
conhecimentos a que se pode aspirar, independente de toda a experiência. O
objetivo é, portanto, saber até que ponto pode-se alcançar com a razão, quando
retirada toda a matéria e todo o concurso da experiência. Não se é permitido
emitir opiniões e tudo o que se pareça com uma hipótese é mercadoria proibida,
que não se deve vender, nem pelo mais baixo preço, mas que urge confiscar logo
que seja descoberta. Com efeito, todo o conhecimento que possui um fundamento a priori, anuncia-se pela exigência de
ser absolutamente necessário; com mais forte razão deve assim ser a respeito de
uma determinação com todos os conhecimentos puros a priori que deve servir de medida e, portanto, de exemplo a toda
clareza filosófica. A metafísica é o inventário, sistematicamente ordenado, de
tudo o que possuímos pela razão pura, o que a razão extrai inteiramente de si
própria não pode estar-lhe oculto; pelo contrário, é posto à luz pela própria
razão.